A origem da animação na UFMG
Publicado em: 19 de dezembro de 2024 A origem da animação na UFMG Elisangela Lobo SchirigattiMaurício Silva Gino A Escola de Belas Artes tem papel importante na história da animação nacional pela contribuição com o ensino e com as pesquisas científicas, incluindo as de preservação, produção, formação de profissionais capacitados e a constituição de um acervo. Ao longo dos anos, passou do processo analógico ao digital; das produções experimentais às produções baseadas na indústria; e do ensino ao acervo, dentro de um contexto mundial em que foi estabelecido o ensino da animação, e nacional, de um percurso difícil para a produção e aprendizado na animação, como relatado por Moreno (1978). O acervo abrangente, segundo levantamento de 2004 através do projeto Ophicina Digital, do professor Dr. Luiz Nazario, consta de filmes em 35 mm, 16 mm, Super 8, U-Matic, VHS, slides, equipamentos de produção e exibição, documentação escrita, fotografias, quadros, pôsteres, artes de animação, roteiros originais, roteiros filmados e não filmados (incluindo de diretores consagrados, como Alberto Cavalcanti, Júlio Bressane e Joaquim Pedro de Andrade, e de jovens diretores mineiros) de obras raras, ficção, entretenimento, didáticos, documentários, filmes de propaganda e de publicidade de pioneiros do cinema nacional e internacional (como do cineasta Igino Bonfioli), de animadores do Leste Europeu, sobretudo da Iugoslávia, e do extinto Consulado da República Democrática da Alemanha (RDA). Esse rico material foi reunido ao longo dos anos por meio de doações e aquisições pelos professores da Escola em consulados, embaixadas, instituições, projetos e produções internas, retratando épocas diferentes do cinema e do ensino de animação aqui em Minas e no Brasil. Esses filmes de animação foram produzidos entre 1979 a 2015 pelos alunos, para conclusão de curso; como trabalho de mestrado e doutorado; filmes feitos em disciplinas como “técnicas alternativas de animação”, “técnicas audiovisuais” e “história da arte”; e filmes feitos em oficinas e cursos realizados pela escola e em parcerias, compondo o precioso acervo junto a equipamentos, fotografias e alguns artefatos de produção. Por isso, foi e ainda é fonte de pesquisa para vários professores, estudantes e estudiosos em geral e fonte de material fílmico para exibições e inserções em produções audiovisuais. Segundo o professor e cineasta José Américo Ribeiro (in DVD NOTA 10), a animação começou a ser explorada na Escola em uma disciplina na área de cinema, ofertada pelo professor José Tavares de Barros, no final da década de 1960. Essa disciplina, Linguagem Cinematográfica, visava o exercício da linguagem audiovisual do cinema, sendo explorada também a animação através de diversos exercícios. Em 1975, foram ofertadas duas disciplinas optativas de Cinema: a primeira, Introdução ao Cinema, ministrada pelo professor, que dava uma visão geral da área, principalmente sobre o cinema brasileiro; e Cinema, ministrada pelo professor Evandro Lemos da Cunha, que havia entrado na escola em 1974 e já trabalhava, de maneira mais prática, na produção de filmes em 16 mm, basicamente voltado para documentário (RIBEIRO, 2013). Sua linha era teórica e prática. Depois da busca do departamento por uma temática sobre como desenvolver o cinema e por deficiências técnicas, que era grande naquele período em Minas Gerais, os professores viram que não cabia um curso tradicional de cinema, com montador, cinegrafista e outros profissionais deste tipo. E como a escola era de artes, pensaram em unir as questões da área de arte com as questões de cinema, propondo o Curso de Animação (CUNHA, 2015). Foi então que surgiu, em 1977, uma das primeiras tentativas de implantação do curso de desenho animado na Escola, através de debates, seminários e mesas-redondas promovidas pelo Diretório Acadêmico. Essa tentativa foi fortalecida com o retorno do professor José Américo, por volta de 1980, após a conclusão de seu mestrado, que trouxe dos EUA, além de livros e vários materiais de animação, experiência nessa área para aplicá-la ao ensino da Escola. Quando eleito chefe do DFTC, o prof. Américo sugeriu, então, criar o curso de Cinema de Animação como um curso de extensão. Porém, alguns dos professores não gostaram muito da ideia pelo fato de não terem experiência e vocação para trabalhar e ensinar. Mas, com a ajuda da Pró-Reitoria de Extensão, dirigida pelo professor Cunha, a ideia foi adiante, e foram comprados uma truca32, tanques de revelação de filmes 16 mm e uma série de mesas de luz, fabricadas na própria UFMG (RIBEIRO, 2013). Nessa época, a Escola já reunia muitos filmes de produção dos alunos e outros que eram destinados ao uso didático. Esse material despertava interesse no público interno e externo para uso em diversos contextos, tais como em sala de aula, mostras e eventos, sendo contínuas as solicitações de empréstimo. A falta de organização e de controle e o mau uso pelos professores, alunos e demais instituições estava ameaçando a conservação de todo o material. Com as projeções intensas, rapidamente havia danos no filme, e era muito complicada a tiragem de novas cópias. Isso fez com que o professor José Tavares de Barros33 percebesse a necessidade de estipular regras diante desse patrimônio, convocando uma assembleia no DFTC da EBA. Então, em 24 de abril de 1979, depois de uma ampla discussão, foi criada uma normatização da utilização dos filmes e demais materiais. As normas estabeleciam que os filmes seriam destinados prioritariamente à utilização nos cursos e disciplinas sob a responsabilidade do professor Barros, observadas todas as condições técnicas de exibição segura dos filmes, em aparelhos devidamente testados, e a autorização de utilização pelos professores do departamento em atividades ligadas ao magistério, como conferências, palestras e/ou cursos, e por outros setores da UFMG, desde que em atividades exclusivamente didáticas, a juízo da chefia do departamento. Anualmente, a assembleia do departamento iria indicar um coordenador da filmoteca para estabelecer uma norma de funcionamento, obedecidos os artigos dessa resolução. A exibição pública dos filmes foi vedada mesmo em circuitos de caráter cultural, salvo em casos excepcionais analisados em assembleia do departamento. Porém, os filmes poderiam ser cedidos a outras filmotecas ou às cinematecas existentes no país, desde que houvesse contrapartida de empréstimo de filmes de categoria e
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