{"id":622,"date":"2022-09-30T21:18:27","date_gmt":"2022-10-01T00:18:27","guid":{"rendered":"https:\/\/utfpr.curitiba.br\/projetoestimulo\/?p=622"},"modified":"2023-02-16T10:59:35","modified_gmt":"2023-02-16T13:59:35","slug":"as-origens-da-musicoterapia-por-leonardo-citon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/utfpr.curitiba.br\/projetoestimulo\/?p=622","title":{"rendered":"As origens da musicoterapia\u00a0&#8211; por Leonardo Citon"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"721\" src=\"https:\/\/utfpr-ct-static-content.s3.amazonaws.com\/utfpr.curitiba.br\/wp-content\/uploads\/sites\/105\/2022\/09\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-624\" srcset=\"https:\/\/utfpr-ct-static-content.s3.amazonaws.com\/utfpr.curitiba.br\/wp-content\/uploads\/sites\/105\/2022\/09\/image.png 1280w, https:\/\/utfpr-ct-static-content.s3.amazonaws.com\/utfpr.curitiba.br\/wp-content\/uploads\/sites\/105\/2022\/09\/image-300x169.png 300w, https:\/\/utfpr-ct-static-content.s3.amazonaws.com\/utfpr.curitiba.br\/wp-content\/uploads\/sites\/105\/2022\/09\/image-768x433.png 768w, https:\/\/utfpr-ct-static-content.s3.amazonaws.com\/utfpr.curitiba.br\/wp-content\/uploads\/sites\/105\/2022\/09\/image-700x394.png 700w, https:\/\/utfpr-ct-static-content.s3.amazonaws.com\/utfpr.curitiba.br\/wp-content\/uploads\/sites\/105\/2022\/09\/image-520x293.png 520w, https:\/\/utfpr-ct-static-content.s3.amazonaws.com\/utfpr.curitiba.br\/wp-content\/uploads\/sites\/105\/2022\/09\/image-360x203.png 360w, https:\/\/utfpr-ct-static-content.s3.amazonaws.com\/utfpr.curitiba.br\/wp-content\/uploads\/sites\/105\/2022\/09\/image-250x141.png 250w, https:\/\/utfpr-ct-static-content.s3.amazonaws.com\/utfpr.curitiba.br\/wp-content\/uploads\/sites\/105\/2022\/09\/image-100x56.png 100w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Musicoterapia \u00e9 um campo do conhecimento que estuda a rela\u00e7\u00e3o som-ser humano-som, ou seja, como o som influencia &#8211; a n\u00f3s &#8211; nos mais diversos n\u00edveis. E como a produ\u00e7\u00e3o musical pode produzir mudan\u00e7as em nossa sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 simples estabelecer um ponto claro na linha do tempo para definir quando ocorreu o surgimento da musicoterapia; no entanto, a seguir, vamos explorar alguns registros<strong> hist\u00f3ricos relevantes.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica voltada para a sa\u00fade \u00e9 encontrada em registros antigos, como no Egito (5.000 a.C.), onde os m\u00e9dicos-sacerdotes inclu\u00edam terapia do canto como parte de sua pr\u00e1tica m\u00e9dica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Escritos sobre teorias e m\u00e9todos terap\u00eauticos relativos \u00e0 m\u00fasica e \u00e0 medicina tamb\u00e9m s\u00e3o encontrados a partir do s\u00e9culo XVII. Por\u00e9m, segundo os registros hist\u00f3ricos, o termo \u201c<em>music therapy<\/em>\u201d teria aparecido pela primeira vez em 1789, publicado em um estudo na <em>Columbian Magazine<\/em> chamado <em>\u201cMusic Physically Considered\u201d<\/em>, de autoria desconhecida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Duas disserta\u00e7\u00f5es sobre m\u00fasica e medicina foram registradas no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, uma, em 1804, por Edwin Augustus Atlee (<em>An inaugural essay on the influence of music in the cure of diseases<\/em><em>)<\/em> e outra, em 1806, por Samuel Mathews (<em>On the effects of music in curing and palliating diseases<\/em>). Atlee e Mathews estudaram com o m\u00e9dico americano Benjamin Rush, um conhecido defensor do uso cl\u00ednico da m\u00fasica. Tamb\u00e9m no s\u00e9culo XIX, experimentos com musicoterapia foram realizados pela primeira vez em pacientes em uma institui\u00e7\u00e3o, a Blackwell&#8217;s Island Asylum, em Nova York.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XX, vale destacar os ocorridos nas duas guerras mundiais. Na primeira guerra mundial (1914 \u2013 1918), as experi\u00eancias emp\u00edricas da cantora Paula Lind Ayers com soldados que sofriam do ent\u00e3o chamado \u201cshell shock\u201d (atualmente conhecido como transtorno do estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico) foram reconhecidas pela comunidade m\u00e9dica como sendo de grande valia para o al\u00edvio emocional dos soldados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda na primeira guerra, Spencer (2013) recorda de um artigo de jornal de 5 de mar\u00e7o de 1916 intitulado &#8220;Soldados feridos aplaudidos pela m\u00fasica&#8221; (<em>New York Times<\/em>), que detalhou os esfor\u00e7os de May Moulton, uma mulher que enviava m\u00fasica para soldados feridos no exterior. Moulton enviou fon\u00f3grafos, discos, bandolins e viol\u00f5es em um esfor\u00e7o para levantar o esp\u00edrito dos homens que lutavam no exterior. Os agradecimentos dos soldados vieram por cartas, onde lhe mostraram gratid\u00e3o dizendo que seu sofrimento tinha diminu\u00eddo. Em 1918, a Columbia University de Nova York criou o curso de musicoterapia, onde lecionava Margaret Anderton, uma musicista brit\u00e2nica que havia trabalhado intensamente com soldados canadenses que haviam sofrido transtornos mentais e f\u00edsicos durante a Primeira Guerra Mundial. Esse curso preparava m\u00fasicos para trabalharem como terapeutas em hospitais. Durante a primeira metade do s\u00e9culo XX, estudou-se um mecanismo fisiol\u00f3gico para explicar as mudan\u00e7as que ocorriam a partir da audi\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas selecionadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), soldados com sequelas neurol\u00f3gicas, decorrentes de trauma cr\u00e2nio encef\u00e1lico (TCE), recebiam cuidados a partir do uso da m\u00fasica, como forma de reabilita\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, pode-se destacar&nbsp; nomes como o do Tenente Guy V. R. Marriner, assim como o Tenente Coronel George W. Ainlay, os quais foram respons\u00e1veis pela pol\u00edtica oficial sobre o uso da m\u00fasica em hospitais. Segundo o programa implementado, a m\u00fasica seria \u00fatil (a) para agilizar o exerc\u00edcio; (b) como modalidade f\u00edsica no exerc\u00edcio p\u00f3s-cir\u00fargico para casos ortop\u00e9dicos, pl\u00e1sticos ou pulmonares; (c) em atividades educacionais (estudar m\u00fasica, nota\u00e7\u00e3o ou algum tipo de instrumento, tocar em uma orquestra, tocar m\u00fasica de c\u00e2mara ou cantar em um refr\u00e3o); (d) para ressocializa\u00e7\u00e3o; e (e) para auxiliar no tratamento neuropsiqui\u00e1trico. O trabalho foi considerado de grande relev\u00e2ncia, de modo que foi reconhecido pela For\u00e7a de Servi\u00e7o Americana, destacando a m\u00fasica como um agente capaz de ajudar o soldado mental e fisicamente ferido. Todo este conjunto de pr\u00e1ticas serviu como base para o surgimento da musicoterapia moderna.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda nos per\u00edodos de guerra e p\u00f3s-guerra, na d\u00e9cada de 1940, os nomes de Ira Altshuler, Willem van de Wall e Everett Thayer&nbsp;Gaston<em> <\/em>s\u00e3o lembrados por serem os respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o cl\u00ednica de musicoterapeuta e pela consolida\u00e7\u00e3o da musicoterapia moderna. Ademais, o ano de&nbsp; 1950 foi marcante para a musicoterapia, uma vez que foi criada a American Music Therapy Association, nos Estados Unidos. Ap\u00f3s isso, a musicoterapia passa a ser uma \u00e1rea do conhecimento organizada, sistematizada e que segue os preceitos da ci\u00eancia moderna.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A partir da d\u00e9cada de 1950, cursos de musicoterapia passaram a surgir ao redor do mundo e diferentes abordagens foram sendo organizadas e difundidas. Em 1985 \u00e9 fundada na It\u00e1lia a Federa\u00e7\u00e3o Mundial de Musicoterapia (World Federation of Music Therapy) direcionando seus esfor\u00e7os para discutir e avaliar os modelos de musicoterapia at\u00e9 ent\u00e3o criados. Alguns modelos reconhecidos pela WFMT s\u00e3o a Musicoterapia Anal\u00edtica, Modelo Benenzon de Musicoterapia, M\u00fasica e Imagens Guiadas (GIM), Musicoterapia Neurol\u00f3gica e Musicoterapia Nordoff-Robbins.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a musicoterapia aparece com mais evid\u00eancia ao final da d\u00e9cada de 1960, influenciada, principalmente, pelo Modelo Benenzon de Musicoterapia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-world-federation-of-music-therapy wp-block-embed-world-federation-of-music-therapy\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/wfmt.info\/\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.musictherapy.org\/\">https:\/\/www.musictherapy.org\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/topic\/music-therapy\">https:\/\/www.britannica.com\/topic\/music-therapy<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Moreira, S. V., Alc\u00e2ntara-silva, T. R. D. M., Jos\u00e9, D., &amp; Moreira, M. (2012). Neuromusicoterapia no Brasil: Aspectos terap\u00eauticos na reabilita\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica. <em>Revista Brasileira de Musicoterapia Ano XIV N\u00b0 12 \/ 2012, p. 18-26.<\/em>, 18\u201326.<\/p>\n\n\n\n<p>Reschke-Hernandez, A. E. (2014). Paula lind ayers: \u201cSong-Physician\u201d for troops with shell shock during world war I. <em>Journal of Music Therapy<\/em>, <em>51<\/em>(3), 276\u2013291. https:\/\/doi.org\/10.1093\/jmt\/thu022<\/p>\n\n\n\n<p>Rorke, M. A. (1996). Music and the Wounded of World War II. <em>Journal of Music Therapy<\/em>, <em>33<\/em>(3), 189\u2013207. https:\/\/doi.org\/10.1093\/jmt\/33.3.189<\/p>\n\n\n\n<p>Spencer, J. (2013). <em>A Historical Review of Music Therapy and the Department of Veterans Affairs<\/em>. 52.<\/p>\n\n\n\n<p>Thaut, M. H. (2015). Music as therapy in early history. In E. Altenm\u00fcller, S. Finger, &amp; F. Boller (Eds.), <em>Music, Neurology, and Neuroscience: Evolution, the Musical Brain, Medical Conditions, and Therapies<\/em>. Elsevier B.V.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Musicoterapia \u00e9 um campo do conhecimento que estuda a rela\u00e7\u00e3o som-ser humano-som, ou seja, como o som influencia &#8211; a n\u00f3s &#8211; nos mais diversos n\u00edveis. E como a produ\u00e7\u00e3o musical pode produzir mudan\u00e7as em nossa sa\u00fade. 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